O Céu

É o que me faz a vida.

Mudo meus pensamentos a cada passo.
Torturo-me, com certeza,
Porque não sou perfeito,
Porque não sou Deus.

Sentado na beira da cama,
Entre suspiros repentinos
Para aliviar essa pressão interior,
Para aliviar o peso de minhas observações.

Postado à cabeceira,
Escravo da cafeína
E das letras malditas de "Poe"
Tentando levar um pouco da morte
Ao meu âmago...

Lembrando um pouco da vida
E do amor,
Que se não for o próprio,
É de fraterno teor ao próximo.

"Poe" me escraviza,
O pessimismo também.

Meus olhos arregalados
Se surpreendem com atitudes grotescas,
Porém minha razão nem tanto,
Mas queria que me poupassem de tudo isso...

As malditas letras de "Poe"
Me escravizam
Porque não acredito mais na alma humana,
Num momento,
Em meu quarto.

A decrepitude de minha paciência
Se expressa como rugas na testa
E cansaço no coração.
Porque você não se vê diferente
Se enrosca em sua teia odorante.

E eu,
Que me desiludo com sua presença
Destruo todos os meus conceitos.
Dos cacos faço uma nova base
E com uma torre em meus sonhos
Espero, pela verdade,
Espero atingir o céu.


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